Cálculos Renais [A1042009]
Os cálculos ou pedras renais são depósitos minerais que se formam dentro nos rins e podem estar presentes em várias partes das vias urinárias. Eles se iniciam como partículas microscópicas e se desenvolvem com o passar do tempo até formarem os cálculos. O termo médico para este problema é nefrolitíase ou urolitíase.
Os rins filtram substâncias químicas vindas do sangue e que não servem mais para o organismo, a maior parte delas tóxicas, e os acrescenta à urina. Quando estas escórias não se dissolverem completamente na urina, cristais e cálculos renais são formados.
Os cálculos podem ser tão pequenos quanto grãos de areia e serem eliminados do organismo na urina sem causar qualquer desconforto, como também podem ser do tamanho de uma ervilha ou até maiores, causando sintomas. Embora alguns destes cálculos sejam tão grandes que não se desprendem dos rins, outros conseguem migrar pelo fino canal que liga o rim à bexiga, chamado ureter, onde eles são retidos.
Os cálculos renais retidos podem causar muitos sintomas diferentes, incluindo dor extrema (cólica renal), interrupção ou diminuição do fluxo de urina (anúria ou oligúria, respectivamente) e sangramento das paredes das vias urinárias (hematúria).
Os cálculos renais são um problema muito comum, afetando 10 por cento das pessoas no mundo inteiro. Há vários tipos diferentes de cálculos, e uma variedade de razões pelas quais eles se formam. Os cálculos renais são classificados de acordo com sua composição química.
Quadro Clínico
Os cálculos renais podem não causar sintomas ou se manifestar de forma aguda como cólica renal. Aproximadamente uma em cada 200 pessoas desenvolvem pedras nos rins.
Cálculos localizados no interior do rim (pelve renal) podem apresentar pouco ou nenhum sintoma. Muitos cálculos renais pequenos podem ser eliminados na urina sem causar sintomas. Cálculos maiores podem ser retidos (se prender) no ureter, causando cólicas intensas na região lombar (costas) ou nos flancos (de lado).
A presença de dor lombar aguda, sangramento na urina (hematúria), náuseas, vômitos e infecção urinária devem alertar o paciente quanto a uma crise de cólica renal. A cor da urina pode ser normal, rosada ou vermelha. Se a dor muda de lugar, indo em direção à virilha, normalmente indica que a pedra migrou para baixo, dentro do ureter, e está mais próximo à bexiga. Com a proximidade do cálculo à bexiga, pode aparecer uma vontade aumentada e constante de urinar (polaciúria) ou uma sensação de ardência ao urinar (disúria). Quando pedras são eliminadas na urina, muitas vezes o paciente pode ver a saída dos cálculos.
Diagnóstico
Na história clínica o médico irá rever os sintomas e perguntará sobre qualquer mudança na cor da urina. Ele irá perguntar se alguém na família já teve cólica renal por cálculos, e se o paciente ou algum familiar já teve gota (distúrbio do ácido úrico).
A ultra-sonografia dos rins e vias urinárias, a radiografia simples de abdome, a tomografia computadorizada de abdome e a urografia excretora (veja figura abaixo) são os exames de imagem mais recomendados para o diagnóstico de litíase renal.
Podem ser feitos exames de sangue e de urina para identificar uma causa tratável de cálculos.
Se você não tem nenhum sintoma e você encontra um cálculo em sua urina, guarde-o e leve à consulta para mostrá-lo a seu médico. Ele poderá enviá-lo para o laboratório de análises químicas para ver sua composição.
Prevenção
Em geral, pode-se ajudar a prevenir os cálculos renais tomando bastante líquido e evitando a desidratação. Isto dilui a urina e diminui as chances das substâncias químicas se combinarem e formar os cálculos.
Tratamento
Porém, se o cálculo for muito grande, se a dor é insuportável ou se houver infecção ou hemorragia significativas, pode ser necessário remover o cálculo ou quebrá-lo em partes menores. Há várias opções para destruir cálculos alojados nas vias urinárias:
Litotripsia Extracorpórea por Ondas de Choque (LECO) — Revolucionou o tratamento da litíase urinária devido ao fato de ser pouco invasiva, eficaz e de baixa morbidade. As ondas de choque aplicadas aos cálculos renais fraturam externamente em fragmentos menores devido a um fenômeno chamado cavitação. Os fragmentos são eliminados na urina. Não requer anestesia, quando muito uma sedação, e é realizado no consultório. Para cálculos renais o índice de sucesso é de 80% e para os ureterais é de 85%.
Litotripsia Percutânea por Ultra-som — Um instrumento semelhante a um tubo estreito é passado por uma pequena incisão nas costas em direção ao rim e ondas de ultra-som irão atingir os cálculos e dividi-los em pequenas partes. Os fragmentos dos cálculos são então eliminados na urina.
Litotripsia com Laser — Um feixe de laser separa os cálculos no ureter para torná-los mais fáceis de serem eliminados.
Uretroscopia — Uma sonda endoscópica muito pequena é inserida na uretra e guiada até a bexiga. O cálculo é fragmentado ou então é removido inteiro dependendo do tamanho.
O método será escolhido de acordo com o local em que o cálculo se encontra:
Rim:
- Litotripsia por ondas de choque;
- Litotripsia Percutânea - a energia é aplicada diretamente sobre o cálculo através de um endoscópio que é inserido no rim;
- Cirurgia tradicional com incisão.
Ureter:
- Litotripsia de ondas de choque;
- Litotripsia endoscópica;
- Remoção endoscópica;
- Cirurgia tradicional com incisão.
Bexiga:
- Extração Endoscópica ou litotripsia;
- Cirurgia tradicional com incisão.
Qual médico procurar?
Deve-se procurar o pronto socorro quando houver:
- Cólica renal (dor intensa na região lombar ou nos flancos), com ou sem náuseas e vômitos;
- Diurese (urina) freqüente, fora do normal, ou um desejo persistente de urinar (polaciúria);
- Uma queimação (algúria) ou desconforto ao urinar (disúria);
- Sangramento na urina (hematúria).
Como os cálculos renais retidos podem levar à infecção urinária, deve-se procurar o médico quando se é portador de cálculos renais e tiver febre, calafrios, ou se a urina estiver com mal cheiro, espessa ou escurecida.
Prognóstico