Manchas Perigosas
De acordo com dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca), o câncer de pele é o tipo mais frequente no Brasil. Responde por cerca de 25% de todos os tumores malignos registrados no país.
Tudo começa com uma mancha, um sinal, uma pinta que há pouco tempo não existia. Não importa o remédio ou quanto tempo passar, a ferida não sara. Na visita ao médico, o diagnóstico assusta: câncer de pele. Por ano, estima-se que, a cada 100 mil brasileiros, 60 contraem a doença. Um estudo recente descobriu que as pessoas mais velhas têm mais chances de ter câncer e infecções, porque a pele não consegue mobilizar o sistema imunológico para se autodefender. A descoberta deve ajudar os cientistas a encontrar melhores tratamentos para a doença, mas, por enquanto, o melhor combate é a prevenção.
Ângela Maranhão, 62 anos, teve câncer de pele seis vezes. O primeiro aconteceu há quatro anos, com uma ferida no nariz que não sarava nunca. Ela foi ao dermatologista sem saber o que a esperava - e descobriu que era um tumor maligno. O único tratamento era passar por uma cirurgia. Depois disso, outros cinco sinais apareceram, no rosto e no colo. "Felizmente, todos eram do tipo mais ameno e agora eu fico atenta a qualquer ferida. Eu não esqueço o que o cirurgião disse para mim na primeira vez que eu fui: quem tem pele branca e olhos azuis sofre", conta, bem-humorada.
Depois das incidências, o cuidado com a pele é dobrado. Ela usa filtro solar com fator 60 e evita ficar muito tempo no sol. Bem diferente do tempo em que Ângela era mais nova e morava no Rio de Janeiro. Nas idas à praia, nenhuma proteção contra os raios solares. Pelo contrário, a carioca usava muito óleo para ficar com a pele morena. "Nessa época, todo mundo queria ficar bronzeado, ninguém nem falava sobre câncer de pele. Hoje, oriento minhas duas filhas a se protegerem e a minha netinha também", diz.
A prevenção deve começar cedo. Segundo Selma Cernea, coordenadora da Campanha de Prevenção ao Câncer de Pele da Sociedade Brasileira de Dermatologista, o ideal é usar filtro solar desde os primeiros meses de vida, a qualquer hora de exposição ao sol. "Muitas pessoas não têm consciência, mas é preciso se proteger em qualquer momento da vida. O idoso está sim mais propenso a ter a doença, portanto tem que ter a pele mais protegida", diz.
O principal fator de risco da doença é a pele clara, mas queimaduras solares na infância, cigarro e histórico familiar também podem influenciar. A dermatologista aconselha os mais velhos a procurarem mais a sombra e por que não fazer voltar a moda de usar chapéu? "Nós moramos em um país muito ensolarado, todo cuidado é pouco. Na hora das caminhadas, por exemplo, é preciso se proteger. Para ficar mais fácil, as mulheres podem escolher hidratantes que já vêm com filtro solar, por exemplo", diz Selma.
Camadas
O câncer ocorre quando há um crescimento descontrolado das células da pele. Isso pode acontecer em diferentes camadas, e é o que define cada tipo de câncer. "Quando você toma sol, recebe raios de ondas ultravioleta, e eles são uma agressão contínua às peles mais sensíveis. Isso causa o crescimento anormal das células", explica o oncologista Alexandre Pierri Chiari.
Os tipos mais comuns são os carcinomas basocelulares e os espinocelulares, que têm altos percentuais de cura. Se não forem tratados, entretanto, podem atingir cartilagens e ossos. Manchas e pintas claras ou avermelhadas são o que caracterizam os tumores desse tipo. "O tratamento para o câncer de pele é sempre cirúrgico. A doença é um pouco resistente à quimioterapia e à radioterapia. Dependendo do estágio da doença, é preciso intervir com uma forma mais intensa de tratamento."
O melanoma é o tipo mais perigoso, apesar de representar apenas 4% dos casos de câncer de pele no país. Se o diagnóstico não for precoce, as chances de cura diminuem. Além disso, o tumor maligno pode causar metástase - se espalhar para outros órgãos. Segundo o oncologista, é preciso ficar atento à verrugas de crescimento rápido, com coloração preta ou castanha e bordas irregulares.
De acordo com dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca), o câncer de pele é o tipo mais frequente no Brasil, pois corresponde a cerca de 25% de todos os tumores malignos registrados. A doença ocorre com mais frequência em pessoas de pele clara depois dos 40 anos. Em 2008, o número de novos casos de câncer não melanoma no país foi de 55.890 entre homens e de 59.120 nas mulheres. Enquanto os de melanoma foram 2.950 em homens e 2.970 em mulheres.
Um diagnóstico precoce é essencial para a cura. Segundo a dermatologista Selma Cernea, principalmente os idosos devem ficar atentos a qualquer alteração na pele. "O câncer começa com uma pequena espinha que não cicatriza. Qualquer mancha que mudar de aspecto deve ser verificada por um médico especialista", afirma. Com Ângela foi assim. Hoje, ela se consulta com um dermatologista anualmente e fica atenta aos sinais do corpo. "Por experiência própria, eu não aconselho ficar mexendo na ferida ou mesmo tentar curá-la por conta própria. Percebeu que alguma coisa está errada, vá correndo para um consultório médico."