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Pernas Inquietas

Se você passa a noite em claro devido a um incômodo nas pernas, uma sensação de formigamento, alfinetada, coceira, que só alivia na hora em que você se movimenta e muda de posição na cama, cuidado! Você pode estar sofrendo da Síndrome das Pernas Inquietas.
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Não conhecia essa doença até ler um artigo em uma revista. Através do depoimento de quem sofre do mal me lembrei de amigas que dizem ter esses sintomas mas acham que é problema de circulação. Pode ser que sim, ou pode ser a tal síndrome. Pensando nas minhas amigas e em vocês leitoras resolvi escrever este artigo.

A Síndrome das Pernas Inquietas é uma doença de desordem neurológica que atinge 5% da população mundial. Quem sofre do mal é acometido por uma sensação não dolorosa dentro das pernas que provoca uma irresistível vontade de mexe-las.  Algumas pessoas descrevem-na como: “coceira nos ossos”, “alfinetadas”, “insetos caminhando pelas pernas”, “pernas querendo danças sozinhas”. Seja qual for a sensação, ela vem acompanhada por essa urgência de mover as pernas. Os sintomas pioram ou só aparecem quando o indivíduo está descansando, especialmente a noite quando se deita. As incômodas sensações causadas pela doença podem causar dificuldade para adormecer e permanecer dormindo. Aproximadamente 80% das pessoas com SPI têm também movimentos periódicos dos membros durante a noite, esses “puxões” acontecem a cada 20-30 segundos e interrompem o sono.

Por causa da dificuldade de dormir e manter-se no sono, as pessoas se sentem cansadas e sonolentas durante o dia, aumentando irritabilidade, inabilidade para lidar com o estresse, depressão, dificuldade para concentração e memória. Por causa da urgência em movimentar as pernas, longas viagens e atividades de lazer são quase impossíveis.

Muitas pesquisas ainda estão em andamento e as respostas são limitadas, mas já é possível afirmar que as causas da SPI são diversas. Pode ser influência genética devido ao histórico familiar do paciente, uma conseqüência da anemia (devido aos baixos níveis de ferro no sangue) ou de problemas renais. Mulheres grávidas também podem desenvolver a doença que desaparece após o parto. Estudos recentes apontam uma associação entre SPI e Transtornos de Hiperatividade e Déficit de Atenção (TDAH).

Quase 25% dos pacientes com SPI têm seus sintomas causados ou agravados pela utilização de outros medicamentos. Essas drogas incluem bloqueadores do canal de cálcio (usados para tratar pressão alta e problemas do coração), medicamentos anti-náusea, alguns medicamentos para gripes e alergias, tranqüilizantes, fenitoína e medicamentos utilizados para tratar depressão.

O tratamento tem como objetivo aliviar os sintomas e melhorar a qualidade de vida das pessoas com SPI. No caso de uma deficiência de ferro utiliza-se suplemento e vitamina B12 que pode ser suficiente para acabar com os sintomas. Criar uma rotina de sono encontrando o melhor horário para dormir e acordar e respeitar o número de horas dormidas todos os dias pode ajudar. Exercícios físicos moderados são recomendados até seis horas antes do horário de dormir.  É recomendado cortar o consumo de produtos com cafeína como café, chá mate, chá preto, refrigerantes, chocolate e alguns medicamentos. O consumo de bebidas alcoólicas aumenta a intensidade dos sintomas e a melhor solução é evitá-las.


Existe ainda o tratamento medicamentoso que alivia os sintomas mais graves. Nesse caso o aconselhável é procurar orientação médica para avaliação e decisão do tratamento mais adequado.

Autora: Milene Kanda